Essa harmonia, só eu posso escutar?
A todos quero mostrar. Olhem!
A beleza aqui exposta. Escutem!
Demora. Passo por louco.
Foi pouco. A mim resta muito.
Surto.
Sigo a dança, mansa, do cotidiano, insano.
Deixa pra lá. A vida eu hei de cantar,
a alegria, o sorriso e, por que não, a morte!
Nasci sem vergonha, sem escolha!
A noção eu perdi! O meu caminho tá aí:
na estrada do dia-a-dia.
Na busca incessante de um devaneio.
Em meio ao meu desatino,
quis arpejar minha alma,
mas dela só obtive murmúrios,
notas suaves de loucura.
Ouça bem agora:
essa é a verdadeira canção!
Vem sem medo. Vem sem razão!
E eu te digo, meu irmão:
morrer, não morres mais (são),
pois em cada amigo tu deixarás,
no coração, teu suave sorriso, tua mão.
E até lá, a ti, somente a própria vida,
regada de loucura, regada de tesão!
A finalidade não é entender o que o escritor quis dizer, mas o que o leitor sente ao ler o escrito.
quinta-feira, junho 28, 2007
quinta-feira, junho 21, 2007
Braços do Cotidiano
Desse cotidiano,
o que podes me dizer?
É tão fácil ( , ) ser humano!
O abraço simples de um ser.
Humano.
Por vezes, esqueces disso.
Do teu braço, do teu riso.
Estás mergulhado?
Diria, já nesse momento, afogado.
No trabalho, na mídia, no cotidiano
Humano.
Tiraram de ti a infância.
Tiraram de ti os anos. Insanos.
Criaram em ti um modelo.
Criaram em ti um comum.
Esqueceste da beleza.
Conheces a Gisele Bundchen?
Qual é o nome do teu padeiro?
Qual é o nome do zelador do teu prédio?
Estás estressado?
Assite à uma comédia do Jim Carrey!
Mas o teu porteiro é tão engraçado!
Esqueci!
Um dedo de prosa nunca deves lhe ter dado.
Nasceu em ti um sem humano.
Nasceu em ti um automático.
Morreu em ti teu próprio braço.
Morreu em ti a tua visão.
Qual é o carro do ano? Qual é, meu irmão?
Qual é a moda do verão?
Quantas árvores há na tua rua?
Resta flores ainda no teu chão?
Não.
Que cara de susto é essa?
Ainda tens tempo. Por que a pressa?
Ainda tens coração. Usa tua visão.
Ainda há-braços.
De despedida, te dou um sorriso.
De lembrança, um aperto de mão.
Mas, para um abraço,
só tu podes me dizer
Se ainda há braços,
Se, em ti, ainda há ser.
Humano.
o que podes me dizer?
É tão fácil ( , ) ser humano!
O abraço simples de um ser.
Humano.
Por vezes, esqueces disso.
Do teu braço, do teu riso.
Estás mergulhado?
Diria, já nesse momento, afogado.
No trabalho, na mídia, no cotidiano
Humano.
Tiraram de ti a infância.
Tiraram de ti os anos. Insanos.
Criaram em ti um modelo.
Criaram em ti um comum.
Esqueceste da beleza.
Conheces a Gisele Bundchen?
Qual é o nome do teu padeiro?
Qual é o nome do zelador do teu prédio?
Estás estressado?
Assite à uma comédia do Jim Carrey!
Mas o teu porteiro é tão engraçado!
Esqueci!
Um dedo de prosa nunca deves lhe ter dado.
Nasceu em ti um sem humano.
Nasceu em ti um automático.
Morreu em ti teu próprio braço.
Morreu em ti a tua visão.
Qual é o carro do ano? Qual é, meu irmão?
Qual é a moda do verão?
Quantas árvores há na tua rua?
Resta flores ainda no teu chão?
Não.
Que cara de susto é essa?
Ainda tens tempo. Por que a pressa?
Ainda tens coração. Usa tua visão.
Ainda há-braços.
De despedida, te dou um sorriso.
De lembrança, um aperto de mão.
Mas, para um abraço,
só tu podes me dizer
Se ainda há braços,
Se, em ti, ainda há ser.
Humano.
segunda-feira, junho 11, 2007
Do Meu Pequeno Sentimento de Mundo
Do meu pequeno sentimento de mundo,
eu desejo apenas, bem lá do fundo,
ser músico e poeta, ser humano.
Nessa estrada, me esperar, inquieta
a longa aventura dos anos.
Quero beber, sabeoreando o gole, a humanidade.
Sem ser pequeno perante os horrores.
Quero enfrentar, das horas, cada adversidade.
Da vida cotidiana, sentir somente amores.
Poder em qualquer passo,
ganhar um sorriso e dar um abraço
sem nenhum siso, sem nenhum asco.
Se tiver que fazer música,
que ela seja lúbrica!
Com notas suaves de uma brincadeira rústica,
de quem ri primeiro uma risada acústica.
Dessa brincadeira, ganhar quem gargalhar
de peito aberto, chegar a lagrimar.
O amor grande, ser dividido entre meus companheiros,
sendo reservado o carinho especial
e o amor total
para o ensejo de reconhecer
meu sorriso em outro ser.
Amar com toda força num beijo,
Chorar com alegria num abraço.
Aprendendo com as tristezas
fazendo delas um novo passo.
Uma nova dança.
Voltando a ser criança,
querendo só um pedaço,
da vida que é tão ampla.
Do tempo que é tão ágil.
Amar alguém com força até ser velinho,
guardando pra esse momento
um afago pequeninho
como se fôssemos, ainda, namorados.
Morrendo docemente sobre o legado
de ter risos e amores espalhado,
De a mais doce essência da vida, ter sugado.
eu desejo apenas, bem lá do fundo,
ser músico e poeta, ser humano.
Nessa estrada, me esperar, inquieta
a longa aventura dos anos.
Quero beber, sabeoreando o gole, a humanidade.
Sem ser pequeno perante os horrores.
Quero enfrentar, das horas, cada adversidade.
Da vida cotidiana, sentir somente amores.
Poder em qualquer passo,
ganhar um sorriso e dar um abraço
sem nenhum siso, sem nenhum asco.
Se tiver que fazer música,
que ela seja lúbrica!
Com notas suaves de uma brincadeira rústica,
de quem ri primeiro uma risada acústica.
Dessa brincadeira, ganhar quem gargalhar
de peito aberto, chegar a lagrimar.
O amor grande, ser dividido entre meus companheiros,
sendo reservado o carinho especial
e o amor total
para o ensejo de reconhecer
meu sorriso em outro ser.
Amar com toda força num beijo,
Chorar com alegria num abraço.
Aprendendo com as tristezas
fazendo delas um novo passo.
Uma nova dança.
Voltando a ser criança,
querendo só um pedaço,
da vida que é tão ampla.
Do tempo que é tão ágil.
Amar alguém com força até ser velinho,
guardando pra esse momento
um afago pequeninho
como se fôssemos, ainda, namorados.
Morrendo docemente sobre o legado
de ter risos e amores espalhado,
De a mais doce essência da vida, ter sugado.
terça-feira, maio 22, 2007
Embriaguez
Foi naquele dia que eu tremi, que eu caí.
Sem saber o que estava por vir...
Andava solto por entre gentes,
falava de conquistas somente.
Mulheres diversas de um coração ausente.
Relações vagas com as quais dormia.
Nem sabia que meu ser nada sentia.
Nem sabia que infeliz eu vivia sorrindo
na ignorância de tomar cerveja,
de me embriagar, de ficar...
Mentindo.
O dia passava e eu dançava,
na vida. O que é a vida?
Nem isso eu sabia. Beijar.
Mas teve um dia que não passou,
nem me acordou. Preso fiquei,
inebriado . Apareceu o início,
começou meu vício
e o coração se fez presente.
Foi naquele dia que eu tremi, que eu caí.
Sem saber o que estava por vir...
Você tomou a mim, ao meu dia.
Uma mulher só no meu coração fremente.
Agora eu sentia . Agora eu cantava,
conquistava a mesma mulher todo dia.
Você era minha dança, minha cerveja,
era só ao te beijar, que eu me embriagava.
Era só ao te amar, que eu vivia.
Você, só você, me enlevava
Pois só com você que via
beleza rara
nas simples coisas do dia-a-dia.
Sorriso...
Se uma coisa te devo,
é somente a gratidão.
Por pequenos momentos,
por grandes sentimentos.
Pelas histórias, pelas memórias.
Pelo verdadeiro porre. Pelo verdadeiro beijo.
Mas, principalmente por, somente ao me olhar,
conseguir me mostrar a desconhecida face do meu coração.
E se não foi assim pra você
eu entendo, menina.
Entendo a morada, entendo a partida.
Mas nunca vou entender como,
mesmo partindo, continuas aqui.
Mesmo ausente, me fazes sorrir.
Foi naquele dia que eu tremi, que eu caí.
Sem saber o que estava por vir...
Sem saber o que estava por vir...
Andava solto por entre gentes,
falava de conquistas somente.
Mulheres diversas de um coração ausente.
Relações vagas com as quais dormia.
Nem sabia que meu ser nada sentia.
Nem sabia que infeliz eu vivia sorrindo
na ignorância de tomar cerveja,
de me embriagar, de ficar...
Mentindo.
O dia passava e eu dançava,
na vida. O que é a vida?
Nem isso eu sabia. Beijar.
Mas teve um dia que não passou,
nem me acordou. Preso fiquei,
inebriado . Apareceu o início,
começou meu vício
e o coração se fez presente.
Foi naquele dia que eu tremi, que eu caí.
Sem saber o que estava por vir...
Você tomou a mim, ao meu dia.
Uma mulher só no meu coração fremente.
Agora eu sentia . Agora eu cantava,
conquistava a mesma mulher todo dia.
Você era minha dança, minha cerveja,
era só ao te beijar, que eu me embriagava.
Era só ao te amar, que eu vivia.
Você, só você, me enlevava
Pois só com você que via
beleza rara
nas simples coisas do dia-a-dia.
Sorriso...
Se uma coisa te devo,
é somente a gratidão.
Por pequenos momentos,
por grandes sentimentos.
Pelas histórias, pelas memórias.
Pelo verdadeiro porre. Pelo verdadeiro beijo.
Mas, principalmente por, somente ao me olhar,
conseguir me mostrar a desconhecida face do meu coração.
E se não foi assim pra você
eu entendo, menina.
Entendo a morada, entendo a partida.
Mas nunca vou entender como,
mesmo partindo, continuas aqui.
Mesmo ausente, me fazes sorrir.
Foi naquele dia que eu tremi, que eu caí.
Sem saber o que estava por vir...
quarta-feira, maio 16, 2007
Por Baixo dos Panos
Hoje te vi. Altiva!
Beleza banal que me cativa.
Entre o belo e o feio, simples.
Sem adorno. Sem batom.
Sim, tens o dom.
Alucinado fiquei. Perdido.
Sem explicação nem resposta.
Mostra. Isso, me enleva,
que eu bebo tua imagem feito doido.
Entre os outros és só mais uma bela, minha fera!
No meu quadro, és dona e eu criado.
Comum fico. Inebriado. Será que percebeste?
Passando ao meu lado, nem olhaste.
Sabes sim, de mim aqui.
Tua malícia é meu espinho.
Tua simples carícia
nos cabelos, meu vício.
É no leve reclínio do teu colo que esmoreço.
E se atento permaneço...
...por dentro de minhas vestes cresço.
Da minha imaginação, somente o suplício
de fazer real o pensamento.
Atordoado me contenho. Possuído de temor.
Paixão ou amor? Não é esse o meu tormento.
A essa pergunta resposta já tenho:
é desejo, obsessão, sofrimento...
Pois, enquanto para outros, andas.
À minha imaginação mandas
imaginar-te somente em rendas.
Se aos demais, tu simplesmente sentas,
é ao meu imaginário que atormentas,
ao te pensar em outras posições.
E se queres saber, quero ficar no desespero.
Pois quanto mais eu me esmero,
mais despida ficas em meu ser.
Então segue, menina. Vestida.
Continua...
Mas lembra sempre:
no verão ou no inverno, de terno...
...não importa. Aos meus olhos sempre estarás nua.
Beleza banal que me cativa.
Entre o belo e o feio, simples.
Sem adorno. Sem batom.
Sim, tens o dom.
Alucinado fiquei. Perdido.
Sem explicação nem resposta.
Mostra. Isso, me enleva,
que eu bebo tua imagem feito doido.
Entre os outros és só mais uma bela, minha fera!
No meu quadro, és dona e eu criado.
Comum fico. Inebriado. Será que percebeste?
Passando ao meu lado, nem olhaste.
Sabes sim, de mim aqui.
Tua malícia é meu espinho.
Tua simples carícia
nos cabelos, meu vício.
É no leve reclínio do teu colo que esmoreço.
E se atento permaneço...
...por dentro de minhas vestes cresço.
Da minha imaginação, somente o suplício
de fazer real o pensamento.
Atordoado me contenho. Possuído de temor.
Paixão ou amor? Não é esse o meu tormento.
A essa pergunta resposta já tenho:
é desejo, obsessão, sofrimento...
Pois, enquanto para outros, andas.
À minha imaginação mandas
imaginar-te somente em rendas.
Se aos demais, tu simplesmente sentas,
é ao meu imaginário que atormentas,
ao te pensar em outras posições.
E se queres saber, quero ficar no desespero.
Pois quanto mais eu me esmero,
mais despida ficas em meu ser.
Então segue, menina. Vestida.
Continua...
Mas lembra sempre:
no verão ou no inverno, de terno...
...não importa. Aos meus olhos sempre estarás nua.
domingo, abril 22, 2007
Madrugada
Hoje eu acordei tão cedo!
Com um sorriso estranho de medo.
Confuso com o que me deixa seco.
Frio, suado e de lado.
Jogado ao chão, caindo por dentro.
Metade sua enfrento.
Metade sua obedeço.
Espero...
Ando pela sala, pela rua.
Eu todo feneço. Você toda nua.
Na mesa não janta ninguém.
Nem eu, nem a barriga, não à comida.
O sabor que me falta ao paladar que um dia
sentiu a saliva inefável, pensando ser divina.
Metade minha alegria.
Metade minha revolta.
Memórias nossas de outrora,
presente meu de fantasia.
O futuro incerto que um dia
tornou-se passado da minha memória.
Hoje sou o homem da esperança.
Sério perante qualquer lembrança.
Metade minha correndo.
Metade minha descansando.
Ontem eu dormia cantando.
Ignorando qualquer escória.
Ontem eu era o menino da esperança.
Chorando perante qualquer lembrança.
Do amanhã que não veio cedo.
Do Sol nosso que dividiu-se ao meio.
Metade sua ficou.
Metade sua partiu.
Amanhã acordarei sem o vazio.
Rindo para outros futuros.
Chorando por outros presentes.
Amanhã, sábio por vários passados,
serei o velho da esperança.
Rindo perante qualquer lembrança.
Porém, em um simples "mas",
Entre o presente e o futuro.
Entre o hoje e o amanhã.
Nesse sutil espaço de tempo,
entre o dormir e o acordar...
Fica você toda no centro.
Fico eu todo o total querendo.
E durmo com você toda em mim todo,
por dentro...
Com um sorriso estranho de medo.
Confuso com o que me deixa seco.
Frio, suado e de lado.
Jogado ao chão, caindo por dentro.
Metade sua enfrento.
Metade sua obedeço.
Espero...
Ando pela sala, pela rua.
Eu todo feneço. Você toda nua.
Na mesa não janta ninguém.
Nem eu, nem a barriga, não à comida.
O sabor que me falta ao paladar que um dia
sentiu a saliva inefável, pensando ser divina.
Metade minha alegria.
Metade minha revolta.
Memórias nossas de outrora,
presente meu de fantasia.
O futuro incerto que um dia
tornou-se passado da minha memória.
Hoje sou o homem da esperança.
Sério perante qualquer lembrança.
Metade minha correndo.
Metade minha descansando.
Ontem eu dormia cantando.
Ignorando qualquer escória.
Ontem eu era o menino da esperança.
Chorando perante qualquer lembrança.
Do amanhã que não veio cedo.
Do Sol nosso que dividiu-se ao meio.
Metade sua ficou.
Metade sua partiu.
Amanhã acordarei sem o vazio.
Rindo para outros futuros.
Chorando por outros presentes.
Amanhã, sábio por vários passados,
serei o velho da esperança.
Rindo perante qualquer lembrança.
Porém, em um simples "mas",
Entre o presente e o futuro.
Entre o hoje e o amanhã.
Nesse sutil espaço de tempo,
entre o dormir e o acordar...
Fica você toda no centro.
Fico eu todo o total querendo.
E durmo com você toda em mim todo,
por dentro...
sábado, março 17, 2007
Músicas Passadas
Ando sobre notas caladas,
passadas.
Que outrora foram tocadas,
musicalizadas
pelas gargalhadas.
Depois jogadas,
guardadas na caixinha de lembranças
que só as crianças
têm.
Nem
a vitrola me canta.
O dedo, a viola espanta.
O medo
do silêncio presente.
Ausente
notas no violão.
A mão
pendente, fria.
Desvia
da musicalização.
Canção
que eu faço com o resto.
Testo,
do presente, as notas
remanescentes.
Crente
de que tocarão.
São
ainda mudas.
Surdas
ao meu coração.
passadas.
Que outrora foram tocadas,
musicalizadas
pelas gargalhadas.
Depois jogadas,
guardadas na caixinha de lembranças
que só as crianças
têm.
Nem
a vitrola me canta.
O dedo, a viola espanta.
O medo
do silêncio presente.
Ausente
notas no violão.
A mão
pendente, fria.
Desvia
da musicalização.
Canção
que eu faço com o resto.
Testo,
do presente, as notas
remanescentes.
Crente
de que tocarão.
São
ainda mudas.
Surdas
ao meu coração.
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Se você não entender, não me culpe!
Eu era apenas um menino de dar pena.
Escondido no coração, no amor por si mesmo.
Não que eu seja egoísta, veja bem!
Se você chegou, me mostrou e me tornou.
Chegou no almoço, no banho, um alvoroço.
Mostrou-me o riso, o telefone, formou o círculo.
Tornou-me um homem, com codinome, um ridículo,
pois escrevia: "Oh, meu amor! Oh, minha bela!".
Achando lindo, coisa mais pura e singela.
Rindo alto de coisas bestas, estúpidas!
Se você risse, estava nesta. O banho.
Se você se foi, egoísta, veja bem!
Cadê o meu coração? Eu não almoço.
O telefone, um homem de dar pena.
No penar de apenas ouvir meu nome.
Se você entender, não se culpe.
Eu sou apenas estúpido, besta!
Com riso baixo, sem banho, não chego.
Pois escrevo: "Ao amor! A minha fera!"
Mas isso tudo é se, no entanto, não espera.
Nesse "se" eu não me perco.
Se o círculo é infinito, nem esmoreço, cresço.
Mas mereço nesta, coisa mais pura e singela,
vida besta de amar, de dar pena, outra bela.
Esse teu "se" do jantar, do enxugar, sem alvoroço.
Não seja egoísta, veja bem! Porque
se você duvida, o riso fica sério,
mas não ame, oh, minha bela ridícula!
Porque há muito para você temer:
Eu posso não mais o círculo.
Deixar de ser ridículo. A reta aparecer.
O telefone.
Eu sei, o jantar, mas...
...e se.
Eu era apenas um menino de dar pena.
Escondido no coração, no amor por si mesmo.
Não que eu seja egoísta, veja bem!
Se você chegou, me mostrou e me tornou.
Chegou no almoço, no banho, um alvoroço.
Mostrou-me o riso, o telefone, formou o círculo.
Tornou-me um homem, com codinome, um ridículo,
pois escrevia: "Oh, meu amor! Oh, minha bela!".
Achando lindo, coisa mais pura e singela.
Rindo alto de coisas bestas, estúpidas!
Se você risse, estava nesta. O banho.
Se você se foi, egoísta, veja bem!
Cadê o meu coração? Eu não almoço.
O telefone, um homem de dar pena.
No penar de apenas ouvir meu nome.
Se você entender, não se culpe.
Eu sou apenas estúpido, besta!
Com riso baixo, sem banho, não chego.
Pois escrevo: "Ao amor! A minha fera!"
Mas isso tudo é se, no entanto, não espera.
Nesse "se" eu não me perco.
Se o círculo é infinito, nem esmoreço, cresço.
Mas mereço nesta, coisa mais pura e singela,
vida besta de amar, de dar pena, outra bela.
Esse teu "se" do jantar, do enxugar, sem alvoroço.
Não seja egoísta, veja bem! Porque
se você duvida, o riso fica sério,
mas não ame, oh, minha bela ridícula!
Porque há muito para você temer:
Eu posso não mais o círculo.
Deixar de ser ridículo. A reta aparecer.
O telefone.
Eu sei, o jantar, mas...
...e se.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Novos Amores
Como chegamos aqui, me conta?
Eu dormi. Sem os olhos cerrar, eu esmoreci.
Caí lento, dançando a nova dança antiga.
Aquela que todos dançam um dia. Na vida.
No chão me deixas. A mão me negas.
O chão me falta. O pão não quero.
O ritmo acabou. Falta-me passos para seguir.
Seguir sem cair, sem pedir, sem ir.
Levantar sem correr. Andar sem pisar.
O que outrora aprendi a confiar.
Aprendi meu par. É difícil mudar. É difícil dançar.
E agora o que fazes?
Se a música acabou, pega teus sapatos e segue.
Mais uma dança que me negue,
não vai mudar os passos da dança que ficou.
Pode levar a vitrola.
Não esquece a escova de dente!
No meu espaço, resta-me o braço. Para viver.
No peito ausente, canta insistente, meu violão,
a melodia de um novo par, um novo passo,
uma nova canção...
Eu dormi. Sem os olhos cerrar, eu esmoreci.
Caí lento, dançando a nova dança antiga.
Aquela que todos dançam um dia. Na vida.
No chão me deixas. A mão me negas.
O chão me falta. O pão não quero.
O ritmo acabou. Falta-me passos para seguir.
Seguir sem cair, sem pedir, sem ir.
Levantar sem correr. Andar sem pisar.
O que outrora aprendi a confiar.
Aprendi meu par. É difícil mudar. É difícil dançar.
E agora o que fazes?
Se a música acabou, pega teus sapatos e segue.
Mais uma dança que me negue,
não vai mudar os passos da dança que ficou.
Pode levar a vitrola.
Não esquece a escova de dente!
No meu espaço, resta-me o braço. Para viver.
No peito ausente, canta insistente, meu violão,
a melodia de um novo par, um novo passo,
uma nova canção...
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Silêncio de Uma Visão Calada
Fico calado porque não tenho escolha!
Palavras não faltam, mas tudo molha.
As lágrimas molham a alma cansada
de tentar reconstruir o destruído.
Caiu uma ponte, nasceu uma parede.
No interior, mudo, escuto o ruído
daquele que bate forte em cada parada
do suplício insano. De muita sede!
Balbuciar, clamar, de nada adiantaria.
O silêncio é meu amigo, a calmaria.
Olho os vestígios, espalhados no chão, tudo inútil.
Aquilo que foi tão grande, agora me parece fútil.
Face molhada. Parado. Contemplo a implosão.
Destroçado, passeio no fundo do poço de palavras acumuladas.
Sento, penso, senso. Bom juízo a mudez. Assim fico são.
Verbalizar de nada iria adiantar. Já tá tudo no chão.
Pedaços pequenos, simples, de estórias inacabadas
de um mesmo autor. Só um autor, que tirou o "hi" e colocou
o "e" forçadamente. Desiludido. Sem acreditar que tudo mudou.
Sem conseguir acreditar que os dias da ponte, que pareciam tão reais,
não passavam de um arco-íris, de grandes ilusões individuais.
O outro lado nunca existira. Era apenas um reflexo do que ele queria.
Aquele outro lado era falso, fugaz, indiferente. Coisas que ele nunca imaginara.
Depois de tanta força, em vão, ele largou a ponte. Continuar já não conseguiria.
Sustentar sozinho. O arco-íris preto-e-branco. Ferida. Arguarda que sara.
Recluso permaneço. Trêmulo. Subo as paredes do poço, silente, cheio de medo!
Da queda, aprendo. Do poço, cresço. Na parede só fica a marca, do dedo!
No silêncio, a cicatriz da decepção. No olhar, o horizonte. Escrever. Saber.
As cores nascem da limpidez. Do que é nítido, puro. E disso nasce a vontade
de construir a ponte, de firmar a aliança. Assim, não morre a esperança.
A luz branca de meu peito partido refletirá no espelho alvo da sinceridade
do seio nu, verdadeiro, sagaz em construir a ponte mais complexa da vida...
...a do amor.
Palavras não faltam, mas tudo molha.
As lágrimas molham a alma cansada
de tentar reconstruir o destruído.
Caiu uma ponte, nasceu uma parede.
No interior, mudo, escuto o ruído
daquele que bate forte em cada parada
do suplício insano. De muita sede!
Balbuciar, clamar, de nada adiantaria.
O silêncio é meu amigo, a calmaria.
Olho os vestígios, espalhados no chão, tudo inútil.
Aquilo que foi tão grande, agora me parece fútil.
Face molhada. Parado. Contemplo a implosão.
Destroçado, passeio no fundo do poço de palavras acumuladas.
Sento, penso, senso. Bom juízo a mudez. Assim fico são.
Verbalizar de nada iria adiantar. Já tá tudo no chão.
Pedaços pequenos, simples, de estórias inacabadas
de um mesmo autor. Só um autor, que tirou o "hi" e colocou
o "e" forçadamente. Desiludido. Sem acreditar que tudo mudou.
Sem conseguir acreditar que os dias da ponte, que pareciam tão reais,
não passavam de um arco-íris, de grandes ilusões individuais.
O outro lado nunca existira. Era apenas um reflexo do que ele queria.
Aquele outro lado era falso, fugaz, indiferente. Coisas que ele nunca imaginara.
Depois de tanta força, em vão, ele largou a ponte. Continuar já não conseguiria.
Sustentar sozinho. O arco-íris preto-e-branco. Ferida. Arguarda que sara.
Recluso permaneço. Trêmulo. Subo as paredes do poço, silente, cheio de medo!
Da queda, aprendo. Do poço, cresço. Na parede só fica a marca, do dedo!
No silêncio, a cicatriz da decepção. No olhar, o horizonte. Escrever. Saber.
As cores nascem da limpidez. Do que é nítido, puro. E disso nasce a vontade
de construir a ponte, de firmar a aliança. Assim, não morre a esperança.
A luz branca de meu peito partido refletirá no espelho alvo da sinceridade
do seio nu, verdadeiro, sagaz em construir a ponte mais complexa da vida...
...a do amor.
domingo, dezembro 03, 2006
Casulo
Era na conversa o meu descanso
quando rindo junto eu te escutava, coisas banais e singelas.
Como tu, menina, como tu tuas palavras eram.
Eu apenas esmorecia perante teu riso manso,
Inebriado em tuas qualidades belas.
Recluso no silêncio do meu sono.
Mirando apenas tua boca perto.
No embaraço que ardia em meu peito inquieto,
me enbriagava em teu arcano enquanto,
procurava,insano, provar o fel mais certo.
Foi quando num olhar, num detalhe, num quase nada,
mirificaste a vontade mais recôndita,
suplicando pelo meu impulso.
Implorando pelo meu desejo.
Encerrando teus lábios com o meu beijo.
Meu coração riu, minha boca chorou.
Feliz, meus olhos gritaram, alegre,
nossos peitos cerraram.
Entorpecido, meu corpo,
ávido por consumar o mais perfeito momento,
me acordou do mais perfeito sonho.
E eu,menina , envenenado pelo sentimento,
permaneci deitado, sorrindo extasiado,
enquanto teu gosto ainda corria
pelo meu lábio trêmulo e molhado.
quando rindo junto eu te escutava, coisas banais e singelas.
Como tu, menina, como tu tuas palavras eram.
Eu apenas esmorecia perante teu riso manso,
Inebriado em tuas qualidades belas.
Recluso no silêncio do meu sono.
Mirando apenas tua boca perto.
No embaraço que ardia em meu peito inquieto,
me enbriagava em teu arcano enquanto,
procurava,insano, provar o fel mais certo.
Foi quando num olhar, num detalhe, num quase nada,
mirificaste a vontade mais recôndita,
suplicando pelo meu impulso.
Implorando pelo meu desejo.
Encerrando teus lábios com o meu beijo.
Meu coração riu, minha boca chorou.
Feliz, meus olhos gritaram, alegre,
nossos peitos cerraram.
Entorpecido, meu corpo,
ávido por consumar o mais perfeito momento,
me acordou do mais perfeito sonho.
E eu,menina , envenenado pelo sentimento,
permaneci deitado, sorrindo extasiado,
enquanto teu gosto ainda corria
pelo meu lábio trêmulo e molhado.
segunda-feira, novembro 13, 2006
Tum Tá
Bum! Finalmente retornara ao ponto de partida.O andar de lado, arrastado e cansado. Nada que o "ado" tornaria bonito, nada que o branco tornaria feio. Tira e põe na tábua de carne. Corta em pedaços. Bate no liquidificador, é coerente, liquidifica a dor. Bebe, digere o indigesto. Engole goela abaixo. Mas levanta. Segue! É o andar pela primeira vez, correr, conseguir o equilíbrio na bicicleta. É passar no vestibular. É a primeira noite. Todos vêm e passam, mas ficam da maneira que deve ficar. Ele era mais singelo e puro que os outros e, nem por causa da experiência adquirida perdera aquilo. O músculo cresceu, assim, a força também. Bate na parede que te castigou, esmurra com tudo que te dói até não doer mais. E, depois disso, procura mais dor. Te enche, aproveita a grandeza, mas esvazia depois. Procura a sensatez...na pequenez.
segunda-feira, setembro 18, 2006
Prédios e Abraços
Na fumaça que agora cobre as ruas dessa cidade,
eu mergulho os olhos imaginando o cotidiano.
A rotina, a transformação de todas as coisas.
A música rude da urbanização
misturada com notas suaves da natureza.
O roncar dos carros rasgando as ruas.
O doce balançar das folhas das mangueiras.
Ela pode ser bonita, ela pode ser feia. Depende de mim.
Assim como a sua rotina. Eu quero a rotina.
Quero transformar, fazer presente o sorriso, o abraço e o beijo.
Nas testas, nos rostos e nas mãos. Sem fumaça nessa relação.
Sem a fumaça da metropolização, que esfria, que constrói os prédios
entre os seres humanos, em cada "bom dia", em cada abraço!
Corro, quero voar, passear sobre as propagandas.
Comercializar a ajuda. Dar risos ao invés de dinheiro.
Isso mesmo, eu entrego o sistema. Ele esfria, ele seca.
Não quero fazer críticas.Não quero ser revolucionário.
Nada assim. Esqueçam. Quero beber alegria. Espalhafatosamente.
Minha carteira está cheia de gargalhadas, eu tenho abraços de crédito.
Da minha conta, o dinheiro foi corrente, agora ela é sorridente.
Só desejo mergulhar, respirar a essência doce de cada ser,
provando o mel de cada peito, de cada aperto de mão.
Ouvindo a brisa nas folhas da minha natureza humana
enquanto deslizo pelas ruas iluminadas das minhas veias.
E, assim, quando a luz me for embora, eu seja imortal
em cada amigo. E que, ao perguntarem por mim, eles digam:
"Riu, bebeu, amou e a natureza de sua alma o sistema não urbanizou!"
eu mergulho os olhos imaginando o cotidiano.
A rotina, a transformação de todas as coisas.
A música rude da urbanização
misturada com notas suaves da natureza.
O roncar dos carros rasgando as ruas.
O doce balançar das folhas das mangueiras.
Ela pode ser bonita, ela pode ser feia. Depende de mim.
Assim como a sua rotina. Eu quero a rotina.
Quero transformar, fazer presente o sorriso, o abraço e o beijo.
Nas testas, nos rostos e nas mãos. Sem fumaça nessa relação.
Sem a fumaça da metropolização, que esfria, que constrói os prédios
entre os seres humanos, em cada "bom dia", em cada abraço!
Corro, quero voar, passear sobre as propagandas.
Comercializar a ajuda. Dar risos ao invés de dinheiro.
Isso mesmo, eu entrego o sistema. Ele esfria, ele seca.
Não quero fazer críticas.Não quero ser revolucionário.
Nada assim. Esqueçam. Quero beber alegria. Espalhafatosamente.
Minha carteira está cheia de gargalhadas, eu tenho abraços de crédito.
Da minha conta, o dinheiro foi corrente, agora ela é sorridente.
Só desejo mergulhar, respirar a essência doce de cada ser,
provando o mel de cada peito, de cada aperto de mão.
Ouvindo a brisa nas folhas da minha natureza humana
enquanto deslizo pelas ruas iluminadas das minhas veias.
E, assim, quando a luz me for embora, eu seja imortal
em cada amigo. E que, ao perguntarem por mim, eles digam:
"Riu, bebeu, amou e a natureza de sua alma o sistema não urbanizou!"
terça-feira, setembro 12, 2006
Lucidez
Antes de fechar os olhos, quero sonhar.
Não um sonho fraco, apagado ou distante.
Um sonho lúcido! No qual eu possa fazer presente
o que segura meu peito agora. É tudo incerto, sei!
Mas é no sim, no não e no talvez que há beleza na vida.
Sentar e apreciar. Olhar. Esperar. Simples obra do acaso.
Espelhar o que é invisível para todos. O que eu consigo enxergar.
Não uma imagem perfeita. Uma que eu possa segurar e levar
ao meu sonho. E ir, ao seu sonho. E delirarmos, inebriados, entorpecidos
por refletirmos a essência primitiva do sentido de existir.
No nascente e no poente,
acordar...
ela ainda lá,
Eu nela e ela em mim.
Não um sonho fraco, apagado ou distante.
Um sonho lúcido! No qual eu possa fazer presente
o que segura meu peito agora. É tudo incerto, sei!
Mas é no sim, no não e no talvez que há beleza na vida.
Sentar e apreciar. Olhar. Esperar. Simples obra do acaso.
Espelhar o que é invisível para todos. O que eu consigo enxergar.
Não uma imagem perfeita. Uma que eu possa segurar e levar
ao meu sonho. E ir, ao seu sonho. E delirarmos, inebriados, entorpecidos
por refletirmos a essência primitiva do sentido de existir.
No nascente e no poente,
acordar...
ela ainda lá,
Eu nela e ela em mim.
domingo, setembro 10, 2006
Hoje não falarei de amor, de traição, de saudosismo. Não!
Não quero saber de suspiros lascivos, de culpa, de pureza.
Apenas observo os homens passeando pelas ruas.
Os HOMENS, os homens e os HomenS.
A humanidade, o humanismo, o humanitário e o humano.
Coisa feia ficar definindo tudo! Palavras não se definem!
Palavras se sentem. Levem para longe o Aurélio.
Eu quero saber daqui, da onomatopéia, do que sentimos.
Isso, ele mesmo, que escutamos.
Eu quero pegar na mão. Quero abraçar. Quero amar.
Não somente uma mulher, mas todos meus companheiros:
o humano, a humanidade, o humanismo e o humanitário.
E tudo dentro de si é tão confuso que o olhar faz-se torto!
E assim, sou impedido de sentir. Só escutar.
Eu não quero nada disso. Só a confusão.
Quero falar a língua desconhecida, pré-histórica.
Quero rugir. Quero o contato primitivo.
Quero a vida...ela apenas
sem mais definições...
Não quero saber de suspiros lascivos, de culpa, de pureza.
Apenas observo os homens passeando pelas ruas.
Os HOMENS, os homens e os HomenS.
A humanidade, o humanismo, o humanitário e o humano.
Coisa feia ficar definindo tudo! Palavras não se definem!
Palavras se sentem. Levem para longe o Aurélio.
Eu quero saber daqui, da onomatopéia, do que sentimos.
Isso, ele mesmo, que escutamos.
Eu quero pegar na mão. Quero abraçar. Quero amar.
Não somente uma mulher, mas todos meus companheiros:
o humano, a humanidade, o humanismo e o humanitário.
E tudo dentro de si é tão confuso que o olhar faz-se torto!
E assim, sou impedido de sentir. Só escutar.
Eu não quero nada disso. Só a confusão.
Quero falar a língua desconhecida, pré-histórica.
Quero rugir. Quero o contato primitivo.
Quero a vida...ela apenas
sem mais definições...
quinta-feira, setembro 07, 2006
Eternos Heróis
Tarde qualquer, observando o sol indo embora pela janela,
que me lembro de tudo, com doce penar.
Olhando os pêlos nos meus braços, através da imagem aquarela.
Passou e restou, pouco! Do que em mim era puro e ingênuo. Recordar.
O que outrora fui e se perdeu. Meu barco de papel afundou no oceano
de lágrimas, junto à minha lancheira. Acabou o tempo do meu recreio.
Os monstros agora não passam de bonecos. Bonecos!Ah, os bonecos daqueles anos.
Todos se foram. Pouco daquilo sobrou. Agora, tenho que ser soldado sem receio.
Minha cabeça de papel queimou, amassou, pelo ralo do tempo escoou.
Obrigação hoje é trabalhar para comprar meu lanchinho, porque já sou fortinho!
E a energia, antes abundante, hoje se faz escassa. Olhos de quem um dia chorou
esperando o pai na escola. Senhoras e senhores, ninguém já bate à minha porta!
"Põe a mão no chão!", já não parte de meus coleguinhas. Só ladrão!
Hoje, sem atenção, eu só escuto o "Vai pro olho da rua..." do patrão!
Ah, queria eu ser ciente de tudo isso naquele tempo! Naquele tempo em que a ânsia
aparecia no Natal, que as feridas eram de quedas na rua e que tudo parecia grande!
Caminho em direção ao espelho, procurando por um rosto sem barba, sem olheira, sem relógio...
Quem sabe, ele ainda esteja ali, no fundo da minha retina...rindo, pulando, suando!
E vai continuar lá, se eu quiser. Porque na adoleta da vida, o que enxergo no espelho é só
o reflexo de um menino fantasiado de adulto, brincando...
que me lembro de tudo, com doce penar.
Olhando os pêlos nos meus braços, através da imagem aquarela.
Passou e restou, pouco! Do que em mim era puro e ingênuo. Recordar.
O que outrora fui e se perdeu. Meu barco de papel afundou no oceano
de lágrimas, junto à minha lancheira. Acabou o tempo do meu recreio.
Os monstros agora não passam de bonecos. Bonecos!Ah, os bonecos daqueles anos.
Todos se foram. Pouco daquilo sobrou. Agora, tenho que ser soldado sem receio.
Minha cabeça de papel queimou, amassou, pelo ralo do tempo escoou.
Obrigação hoje é trabalhar para comprar meu lanchinho, porque já sou fortinho!
E a energia, antes abundante, hoje se faz escassa. Olhos de quem um dia chorou
esperando o pai na escola. Senhoras e senhores, ninguém já bate à minha porta!
"Põe a mão no chão!", já não parte de meus coleguinhas. Só ladrão!
Hoje, sem atenção, eu só escuto o "Vai pro olho da rua..." do patrão!
Ah, queria eu ser ciente de tudo isso naquele tempo! Naquele tempo em que a ânsia
aparecia no Natal, que as feridas eram de quedas na rua e que tudo parecia grande!
Caminho em direção ao espelho, procurando por um rosto sem barba, sem olheira, sem relógio...
Quem sabe, ele ainda esteja ali, no fundo da minha retina...rindo, pulando, suando!
E vai continuar lá, se eu quiser. Porque na adoleta da vida, o que enxergo no espelho é só
o reflexo de um menino fantasiado de adulto, brincando...
terça-feira, agosto 29, 2006
Emoções Imperfeitas
É,
a certeza foi embora essa manhã.
Sim,
vai ser difícil, mas e daí?
O presente não quer saber disso não.
Os passos persistem, quase caí.
Demorou para encontrar de novo o chão.
Não,
não sei se é passageiro. Calo!
Derramo lágrimas e derrapo
no que em mim faz de mim um trapo.
Quando encontro fraqueza no que falo.
Quando estou em um universo sem Força.
Sim,
quero a incerteza. Quero o tocar.
Sem a firmeza, sem para o futuro olhar.
Já que ele pode não estar mais lá,
quero dançar essa música do sentir.
Antes que ela diga: "Tenho que partir."
Não,
nem tudo é um jardim. Sei.
Persisto, abro mais a janela.
Vem Sol, vem chuva! Enxergo e recordo,
tudo que um dia foi certeza, guardei.
Nasceu e precipitou coisa maior. Ela
me deu óculos. Eu concordo.
Sim,
posso vê-la mais suja. Vai.
posso vê-la mais limpa. Fica.
Olha lá, o míope agora pode ver.
Do que nele é antagônico nela, além da janela.
É sim ou não, e então?
Depois da acomodação, só resta a constatação.
O óculos para o amanhã não funciona.
Só lhe resta crer.
Não é a certeza que de manhã foi embora.
Foi só a luz de um novo sol que ele viu nascer.
a certeza foi embora essa manhã.
Sim,
vai ser difícil, mas e daí?
O presente não quer saber disso não.
Os passos persistem, quase caí.
Demorou para encontrar de novo o chão.
Não,
não sei se é passageiro. Calo!
Derramo lágrimas e derrapo
no que em mim faz de mim um trapo.
Quando encontro fraqueza no que falo.
Quando estou em um universo sem Força.
Sim,
quero a incerteza. Quero o tocar.
Sem a firmeza, sem para o futuro olhar.
Já que ele pode não estar mais lá,
quero dançar essa música do sentir.
Antes que ela diga: "Tenho que partir."
Não,
nem tudo é um jardim. Sei.
Persisto, abro mais a janela.
Vem Sol, vem chuva! Enxergo e recordo,
tudo que um dia foi certeza, guardei.
Nasceu e precipitou coisa maior. Ela
me deu óculos. Eu concordo.
Sim,
posso vê-la mais suja. Vai.
posso vê-la mais limpa. Fica.
Olha lá, o míope agora pode ver.
Do que nele é antagônico nela, além da janela.
É sim ou não, e então?
Depois da acomodação, só resta a constatação.
O óculos para o amanhã não funciona.
Só lhe resta crer.
Não é a certeza que de manhã foi embora.
Foi só a luz de um novo sol que ele viu nascer.
sábado, agosto 26, 2006
Percepção
Veja lá,
ela já anda arrastada...
a sombra torta, fraca e apagada
Ar de quem conhece a dor
de ter que andar com pudor.
Nem sempre foi assim,
o riso amargo já foi doce sim.
Hoje é desilusão.
Hoje é curtição.
Não quer mais saber do engodo de todo início.
Porque no fim só resta o que restou do anterior,
que restou restando outros.
Veja lá,
ela já chora rindo...
um som rude, morto, calado.
A graça da garça voando pousou.
O Beija do flor, voou e levou,
platão, dança, cartas.
Seu pombo correio arranjou outro emprego,
espantado pelo cão de seu coração.
Hoje é sem platão.
hoje é palavrão.
Não quer mais saber do profundo...
Porque tudo permanece na superfície,
lançando mão de todas asas, brancas!
Olhe lá,
Ela já (se) pergunta "E daí?"
Já vira a cara para o anel.
Nem quer mais saber do vestido branco.
As vestes de luto pelo seu crédito.
Até arranjou novo animal para estimar.
Tudo isso pertence a ela, que guarda na jaula
junto ao Corvo, de nome Platão.
Hoje é sem Paixão.
Hoje é sem definição.
Então, não olhe não! Veja! São somente pétalas aleatórias,
mascarando o livre-arbítrio da dona do jardim.
Ontem foi a Rosa.
Amanhã serão os espinhos.
ela já anda arrastada...
a sombra torta, fraca e apagada
Ar de quem conhece a dor
de ter que andar com pudor.
Nem sempre foi assim,
o riso amargo já foi doce sim.
Hoje é desilusão.
Hoje é curtição.
Não quer mais saber do engodo de todo início.
Porque no fim só resta o que restou do anterior,
que restou restando outros.
Veja lá,
ela já chora rindo...
um som rude, morto, calado.
A graça da garça voando pousou.
O Beija do flor, voou e levou,
platão, dança, cartas.
Seu pombo correio arranjou outro emprego,
espantado pelo cão de seu coração.
Hoje é sem platão.
hoje é palavrão.
Não quer mais saber do profundo...
Porque tudo permanece na superfície,
lançando mão de todas asas, brancas!
Olhe lá,
Ela já (se) pergunta "E daí?"
Já vira a cara para o anel.
Nem quer mais saber do vestido branco.
As vestes de luto pelo seu crédito.
Até arranjou novo animal para estimar.
Tudo isso pertence a ela, que guarda na jaula
junto ao Corvo, de nome Platão.
Hoje é sem Paixão.
Hoje é sem definição.
Então, não olhe não! Veja! São somente pétalas aleatórias,
mascarando o livre-arbítrio da dona do jardim.
Ontem foi a Rosa.
Amanhã serão os espinhos.
terça-feira, agosto 22, 2006
Águas de um Asfalto Seco
A vela apagara...
A avenida não foi asfaltada em todo seu trajeto.
A esperada surpresa da bifurcação acabou chegando,
no momento em que ele ainda não tinha conseguido seu próprio veículo.
Ela, já estava em certo automóvel quando ele ainda trilhava somente de pé.
O aceno fraco, desconsiderado, indiferente, que sumiu
no horizonte do infinito, junto com o veículo.
Demorou para ele que, talvez por efeito do sol lancinante, teimava em dizer que estava lá.
Contudo, aquela imagem começou a falhar, a piscar...
Ainda de pé, começou a duvidar da veracidade daquilo.
Dúvida essa que para ele, não era capaz de existir.
Atormentado por isso, continuava de pé, seguindo somente a faixa central de sua estrada,
contínua, que não permitia ultrapassagem.
Choveu! Sol fraco! Mirando o horizonte da outra estrada que se afastava cada vez mais.
Constatação, o aceno sumira. Para percorrer seu novo trajeto, ele precisava de algo real...
E foi olhando para o acostamento de sua própria estrada, que achou certo veículo.
A imagem, por vezes, piscava na sua frente, mas ele não queria mais o infinito da estrada dela.
Placa: "Permitido Ultrapassar". Faixas descontínuas.
O Sol do seu horizonte, do seu interior, da sua mente, nascia.
Enquanto o da outra pista já estava em Crepúsculo.
Em alta velocidade, passou a escutar a canção formada pela natureza.
Dirigindo com a insanidade sadia de sair sabendo que depois do salgado pode vir o doce!
Que depois da agonia vem o alívio,
depois do choro, pode vir o riso,
do sono, vem a vigília,
do sujo, vem o limpo.
E que a quebra de um espelho, não quebra o reflexo.
Tudo isso podia ser decidido por ele, pois era ele quem estava no volante...
quem determinava a velocidade, a direção, se o o pára-brisa ficava embaçado ou limpo.
E contemplou, com doce saudosismo, o passado se afastando pelo retrovisor.
Sabia que elas ficariam ali, as memórias boas.
Entorpecido, inebriado pelo vigor da esperança, da incerteza do horizonte, do caminho, do trajeto, da vida, ele mirou o infinito, sagaz para dar carona a um novo alguém que quisesse percorrer a nova estrada, que lhe indicasse o caminho vez por outra e que tivesse paciência de passar pelos buracos só para chegar no encontro das linhas paralelas, que apresentava-se distante, porém lindo no horizonte.
De repente, um novo aceno, diferente, impávido, desafiador...Será?
Encostou, abriu o casulo e...
Acendeu outra vela...
A avenida não foi asfaltada em todo seu trajeto.
A esperada surpresa da bifurcação acabou chegando,
no momento em que ele ainda não tinha conseguido seu próprio veículo.
Ela, já estava em certo automóvel quando ele ainda trilhava somente de pé.
O aceno fraco, desconsiderado, indiferente, que sumiu
no horizonte do infinito, junto com o veículo.
Demorou para ele que, talvez por efeito do sol lancinante, teimava em dizer que estava lá.
Contudo, aquela imagem começou a falhar, a piscar...
Ainda de pé, começou a duvidar da veracidade daquilo.
Dúvida essa que para ele, não era capaz de existir.
Atormentado por isso, continuava de pé, seguindo somente a faixa central de sua estrada,
contínua, que não permitia ultrapassagem.
Choveu! Sol fraco! Mirando o horizonte da outra estrada que se afastava cada vez mais.
Constatação, o aceno sumira. Para percorrer seu novo trajeto, ele precisava de algo real...
E foi olhando para o acostamento de sua própria estrada, que achou certo veículo.
A imagem, por vezes, piscava na sua frente, mas ele não queria mais o infinito da estrada dela.
Placa: "Permitido Ultrapassar". Faixas descontínuas.
O Sol do seu horizonte, do seu interior, da sua mente, nascia.
Enquanto o da outra pista já estava em Crepúsculo.
Em alta velocidade, passou a escutar a canção formada pela natureza.
Dirigindo com a insanidade sadia de sair sabendo que depois do salgado pode vir o doce!
Que depois da agonia vem o alívio,
depois do choro, pode vir o riso,
do sono, vem a vigília,
do sujo, vem o limpo.
E que a quebra de um espelho, não quebra o reflexo.
Tudo isso podia ser decidido por ele, pois era ele quem estava no volante...
quem determinava a velocidade, a direção, se o o pára-brisa ficava embaçado ou limpo.
E contemplou, com doce saudosismo, o passado se afastando pelo retrovisor.
Sabia que elas ficariam ali, as memórias boas.
Entorpecido, inebriado pelo vigor da esperança, da incerteza do horizonte, do caminho, do trajeto, da vida, ele mirou o infinito, sagaz para dar carona a um novo alguém que quisesse percorrer a nova estrada, que lhe indicasse o caminho vez por outra e que tivesse paciência de passar pelos buracos só para chegar no encontro das linhas paralelas, que apresentava-se distante, porém lindo no horizonte.
De repente, um novo aceno, diferente, impávido, desafiador...Será?
Encostou, abriu o casulo e...
Acendeu outra vela...
sexta-feira, agosto 04, 2006
20 e poucos anos
Rubem Fonseca me faz bem. Os jovens tendem a imaginar que os velhos não foram jovens um dia. A época muda, mas os conflitos são similares. O jovem corre, tem pressa, quer expandir, crescer e, por vezes, acaba diminuindo. Eu sei, o mundo tá aí, com toda sua grandiosidade, toda beleza, chamando: "Vem me conhecer!". E quando rodamos o mundo todo e nos damos conta que é tudo a mesma coisa? São planícies e relevos organizados de modo diferente. As pessoas? Costumes, culturas...mas são seres humanos de qualquer forma. Acho que nós, ao nos tornarmos mais adultos, com o inerente crescimento físico, o coração cresce. Forma-se um espaço, que o moço sente necessidade de preencher. Como? Interagindo com outros que sentem o mesmo vazio. Essa é a saída mais rápida, porém, há outros meios de preenchimento desse vazio inexistente. Atualmente, o caminho mais fácil é o mais procurado, álcool, entorpecidos, é isso mesmo, música! Beijos. O beijo, em sua essência, é algo mais puro, mais sublime. O que o ser humano faz? Como a física moderna e a bomba atômica, como a inteligência de Hitler e o nazismo, como tudo que poderia ser usado somente para o bem, mas tomou outro caminho. Banaliza aquilo que seria a mais perfeita tradução da paixão, da atração mútua, do contato. Criando um imã para o vazio do peito ardente. Nessa troca de beijos notívagos, os iniciantes da vida adulta se perdem no pequeno prazer que um beijo espontâneo ainda oferece mas que, entretanto, se mantém longe da volúpia e êxtase transcedental que um beijo apaixonado pode oferecer. A paixão, como diria meu amigo Rubem, faz com que a mistura das salivas tenha um paladar inefável, semelhante ao néctar mitológico. Isso mesmo. E é disso que as pessoas estão se esquecendo, aos poucos, só tende a crescer. A língua só ficará a procura do fel...já esquecido.
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